As redes sociais deram a cada um de nós uma plataforma para expressarmos nossa opinião. Todas as opiniões conhecidas pela humanidade podem ser encontradas na Internet, seja uma resenha sobre um filme assistido ou um comentário sobre uma forte polêmica.
Uma opinião é algo curioso. Não precisa ser fundamentada, qualificada e, com toda certeza, não precisa vir de um lugar de experiência.
Hoje em dia, blogueiros, usuários do Twitter, Instagram, YouTube e TikTok podem determinar o sucesso ou fracasso de um livro, por exemplo.
E mesmo com a ausência de qualificações específicas, uma opinião pode atrair seguidores que, por sua vez, espalham esse ponto de vista como se fosse o Evangelho.
Uma crítica construtiva, no entanto, é diferente de uma opinião. Ela vem de um lugar de conhecimento. Não se trata do parecer de uma pessoa aleatória, mas do ponto de vista de um cidadão com expertise e educação em determinada área.
Uma opinião — “eu gostei daquele filme”, “eu achei lindos esses sapatos”, “esse corte de cabelo está terrível”, “eu odiei aquele filme” — não exige justificativa, base teórica ou qualquer nível de educação sobre o assunto.
A crítica, no entanto, depende de análise intelectual. Para julgar um livro como “o melhor livro do ano” você precisa ter um nível de conhecimento sobre literatura, o tema, o autor, as ideias políticas, a história da mídia, etc.
O problema surge quando opinião e crítica são confundidas.
Isso acontece porque, em tal era de redes sociais, a distância entre ambas está a apenas um tweet.
John F. Kennedy, presidente dos Estados Unidos de 1961 a 1963, dizia: “Too often, we enjoy the comfort of opinion without the discomfort of thought”. Traduzindo, é algo como:
“Muitas vezes, desfrutamos o conforto da opinião sem o desconforto do pensamento.”
Nesta citação, Kennedy estava destacando a tendência humana de expressar opiniões sem refletir profundamente ou de forma crítica sobre elas.
Com facilidade, aceitamos ideias prontas, superficiais ou populares, sem nos incomodarmos em examinar a validade, os fundamentos ou as implicações dessas opiniões.
Sabe por quê?
Acontece que pensar criticamente pode ser desconfortável já que nos obriga a enfrentar dúvidas, incertezas e, quem sabe, a mudar de opinião.
A ideia de Kennedy é que, antes de expressarmos nossa opinião, tenhamos uma base sólida e consideremos as consequências de nossos pensamentos. De outra forma, corremos o risco de contribuir com superficialidade para importantes debates sociais, políticos ou culturais.
Vou te dar um exemplo.
Talvez você conheça pessoas que dizem algo como: “Comer de forma saudável não faz diferença, conheço gente que come mal e vive até os 90 anos.”
Essa visão se baseia em anedotas ou casos isolados, ignorando dados científicos sobre nutrição e saúde.
Antes de espalhar uma opinião não fundamentada, uma pessoa sensata pesquisa em fontes confiáveis conteúdos sobre saúde e longevidade para entender como hábitos alimentares podem impactar nossa qualidade de vida ao longo do tempo.
Ou então, ela faz uma pequena adaptação na forma como se expressa: “Não tenho certeza se comer de forma saudável faz diferença já que conheço gente que come mal e vive até os 90 anos. Vou ter que pesquisar melhor isso.”
O direito de dar sua opinião não faz dela uma opinião válida
“O maior engano que os homens sofrem são as suas próprias opiniões.” — Leonardo da Vinci
“É isso que eu penso. E eu tenho direito à minha opinião!”
Já ouviu isso várias vezes, certo? Talvez você mesmo tenha pronunciado sentenças como essas.
É verdade, todos temos o direito à própria opinião e valorizamos a liberdade de expressão.
O que não é verdade, no entanto, é que uma opinião seja um fato.
“Fato” trata-se de uma afirmação que pode ser comprovada como verdadeira ou falsa por meio de dados ou evidências.
A opinião, como já discutimos, pode ser baseada unicamente em nossas emoções, histórias pessoais e valores, elementos que podem ser completamente desprovidos de evidências significativas.
Sendo assim, na próxima vez que alguém lhe disser que tem uma opinião forte sobre algo, procure entender em que essa opinião se baseia.
Mesmo que centenas, milhares ou quem sabe milhões de pessoas seguem e concordem com certa opinião, vá atrás dos fatos. “O que é certo nem sempre é popular, e o que é popular nem sempre é certo”, já dizia Albert Einsten. “Mesmo que você seja uma minoria de um só homem, a verdade ainda é a verdade”, sabiamente constatou Mahatma Gandhi.
Quando nos apegamos rigidamente às nossas opiniões, corremos o risco de interpretar a realidade através de filtros preconcebidos e confundir certeza subjetiva com verdade objetiva.
E sabe como isso pode ficar pior? Quando a espalhamos indiscriminadamente como uma verdade absoluta.
Em suma, todos têm direito à sua opinião. Mas nem todas as opiniões têm o mesmo valor. Em um mundo saturado de vozes, o verdadeiro poder não está em gritar mais alto, mas em pensar mais profundo.










