Na costa da praia, em uma região rochosa e cheia de recifes, há cerca de quarenta metros de profundidade, encontra-se uma lagosta explorando novos territórios.
O objetivo deste crustáceo é encontrar uma fenda estreita, um buraco em uma rocha, ou quem sabe uma cavidade em um recife onde ele possa ficar lá, encaixadinho, apenas com as antenas expostas, a fim de se proteger contra os predadores e de resistir às mudanças do ambiente.
Então, a lagosta encontra o lugar perfeito onde se estabelecer!
Porém, temos um problema: um abrigo bom demais para uma lagosta costuma ser bom demais para outra também.
Eis que surge uma colega da espécie querendo fazer morada exatamente naquela mesma fenda.
Quem vai ficar em tal atrativo espaço? No mundo animal não existe a regra do “quem chegou primeiro”. As lagostas precisarão resolver essa questão no embate.
Essa questão começa com uma uma espécie de diálogo corporal.
As lagostas se aproximam lentamente, elevam o corpo, abrem as antenas e permitem que elas se toquem. Nesse contato, elas medem tamanho, força e confiança. Muitas vezes, isso basta. A lagosta menor ou mais cautelosa recua, procurando outro abrigo, e o conflito termina sem luta.
No entanto, quando nenhuma das duas cede, a tensão aumenta e o confronto físico acontece.
Enraivecidas, as lagostas lançam-se ferozmente uma em direção à outra com suas pinças estendidas para lutar. Elas empurram, tentam desalojar a rival da toca ou prender suas antenas.
Quando uma das lagostas percebe que está em desvantagem ou é ferida, abandona o local e, então, a lagosta vencedora se estica e fica maior. É como se ela estivesse anunciando que é vitoriosa!
Uma hierarquia silenciosa se estabelece lá no fundo do mar: a lagosta dominante ocupa as melhores fendas, enquanto as outras se adaptam a espaços menos protegidos ou seguem adiante, em busca de novas áreas.
Em seu mundialmente famoso livro 12 Regras Para a Vida: Um Antídoto Para o Caos, Jordan Peterson começa a dissertação sobre a primeira grande regra da vida com a história das lagostas e a lição que isso nos ensina sobre os efeitos de um comportamento vitorioso e de uma postura de derrotado.
Vamos entender melhor como a natureza ilustra poderosamente uma grande verdade que eu e você precisamos aprender.
A neuroquímica da vitória e da derrota
A vitória e a derrota, tanto nos crustáceos como para nós, seres humanos, são moduladas por dois elementos químicos: a serotonina e a octopamina. Quando você ou uma lagosta obtém uma vitória, a proporção de serotonina em relação à octopamina é maior.
A serotonina ajuda a regular a flexão postural. Guarde essa informação: a serotonina ajuda a regular a flexão postural.
No caso das lagostas, a que tem mais serotonina que octopamina tem uma postura pomposa e convencida, com poucas chances de recuar se for desafiada.
E quanto às lagostas que tem mais octopamina que serotonina?
Essas têm uma aparência de derrota, desalinho e inibição, perambulando pelos cantos do oceano e desaparecendo ao primeiro sinal de problema.
Quando deprimido, você é como uma lagosta derrotada. Sua postura grita isso porque você fica lá, encolhido, encurvado, cabisbaixo.
Pessoas de temperamento compassivo e abnegado costumam ser um alvo fácil para ataques verbais e comportamentos abusivos. E sabe por quê? Porque elas não se defendem. Escutam tudo quietas e se curvam como uma lagosta frente à derrota.
E exatamente da mesma forma como acontece no mundo dos crustáceos, uma vez que pessoas sádicas percebem essa vulnerabilidade, elas se apoderam e assumem uma postura de dominância.
Pessoas que se permitem ser exploráveis, não apenas recebem os insultos e represálias. Elas os absorvem. E quais sentimentos elas aprisionam dentro de si? Amargura, raiva e ressentimento. Imagine quão baixos estão os níveis de serotonina num corpo que abriga tais emoções!
E com a baixa serotonina vem a postura enfraquecida. Com a postura enfraquecida, mais opressão, e assim segue um ciclo sem fim.
Vista-se de uma postura que impõe respeito
No entanto, você pode quebrar este ciclo desonroso.
Se você disser não logo no início da opressão (num futuro próximo conversaremos sobre técnicas para fazer isso), os planos repressivos e as palavras insensatas do até então indivíduo dominador vão por água abaixo.
Mas precisa ser um não corajoso, um não dito com a intenção de negar. Um não que você sustenta sem depois procurar formas de abrandar. Um não sobre o qual você entende as razões genuinamente justificáveis para ser dito. O não daquela lagosta cheia de serotonina que não quer ceder espaço para a lagosta que não tem direito de tomá-lo.
Quando percebe que a raiva, em si, é um sentimento legítimo e digno de ser vivenciado, você desenvolve respeito próprio. A Bíblia diz: “fiquem irados, mas não pequem”. Isto é, o pecado consiste em dar vazão à ira em forma de um comportamento agressivo e inoportuno. O sentimento da raiva, no entanto, faz parte do ser humano e é válido para conduzir à atitudes de, no caso em debate, resistência à opressão.
Se você continuar se arrastando por aí com a postura de uma lagosta derrotada, seu cérebro não produzirá tanta serotonina. Assim, você será uma pessoa triste e ansiosa, com mais chances de cair quando deveria se defender. Você terá menos chances de viver em uma boa área, ter acesso aos melhores recursos e conseguir um cônjuge desejável. Suas chances de sofrer uma doença cardíaca, câncer e demência aumentarão. Isso não é nada bom.
“A emoção é, em parte, expressão corporal, e pode ser amplificada (ou enfraquecida) por ela”, diz nosso querido professor Jordan Peterson no bestseller que informei no início desta leitura.
Se você ostentar uma postura de costas curvadas, ombros caídos, peito para dentro e cabeça para baixo, aparentando ser pequeno, derrotado e incapaz; você vai se sentir pequeno, derrotado e incapaz. E as pessoas ao seu redor te tratarão desta mesma forma.
Por outro lado, se começar a adotar uma postura alinhada, o tratamento que você receberá será diferente.
Isso não tem a ver apenas com a forma como você se prostra porque somos mais que um corpo. Temos também uma psique. A atitude de corrigir a postura e levantar a cabeça evoca a força interior de enfrentar as demandas da vida, aceitando o fim do paraíso inconsciente da infância e agindo ativamente perante às adversidades.
Sendo assim, com respeito e dignidade, fale o que você pensa, apresente os seus desejos, caminhe de cabeça erguida e olhe firmemente para frente. Ouse ser perigoso. Permita que a serotonina flua livremente através dos caminhos neurais de seu cérebro.
As pessoas, incluindo você, começarão a acreditar que você é competente e capaz. Coisas boas e coisas melhores ainda acontecerão se você corrigir essa postura. Então, levante a cabeça, mantenha as costas eretas e os ombros para trás!









