“Pare de se comparar!” — Mas como?

para de se comparar, os perigos da comparação

Recentemente ouvi o relato real de um homem que, quando criança, praticava natação. Nos treinos, seu tempo de prova era excelente, no entanto, nas competições, ele sempre perdia para um colega que tinha um rendimento inferior ao dele nos treinos.

O treinador então lhe perguntou: “O que está acontecendo contigo? Tu por acaso está olhando para o Fulaninho enquanto você está debaixo d’água?”.

A sua resposta afirmativa o fez ouvir do professor uma frase e uma lição das quais nunca esqueceria: “Olha pro final, faz seu nado e esquece o dele.”

Exatamente: se comparar com os outros impede o seu desenvolvimento em qualquer área de sua vida, seja ela emocional, espiritual ou profissional.

Acontece que, na prática, é muito difícil vencer a tendência humana de se comparar.

Eis que tenho duas notícias pra te dar, uma boa e outra ruim.

A ruim é que sempre haverá alguém mais bonito, mais inteligente, mais interessante, mais magro, mais maduro e mais bem sucedido que você. E isso se aplica até mesmo àqueles que estão no topo de todos os “rankings” anteriormente citados.

A boa é que tem como você parar de sofrer e nutrir sentimentos negativos advindos do hábito de se comparar.

A boa notícia

A regra número 4 que o famoso escritor Jordan Peterson estabeleceu para uma existência mais feliz e satisfatória em seu livro “12 Regras para a Vida — Um antídoto para o caos”, esta obra aqui, é exatamente o tema de nossa conversa: não se comparar.

Estamos carecas de saber que é horrível se comparar: isso provoca inveja, ressentimento e atrasa todos os campos da nossa vida.

No entanto, é difícil encontrar uma forma prática e derradeira de acabar com o hábito de se comparar com alguém que aparentemente está em uma situação melhor que a nossa, concorda?

Pois então . . . Jordan Peterson ensina uma fórmula com grande potencial de sucesso e que relembra uma simples e essencial verdade bíblica: “Cada um examine os próprios atos, e então poderá orgulhar-se de si mesmo, sem se comparar com ninguém.”

“Que gorila?”

A arte de aprender a não se comparar começa com o direcionamento do nosso foco. 🎯

Nossos olhos estão sempre focando no que estamos interessados em procurar ou ter, e um experimento interessantíssimo valida essa grande verdade.

Trata-se de uma demonstração genial e inesquecível executada pelo psicólogo cognitivo Daniel Simons, no fim da década de 1990. Tal experimento é conhecido como “cegueira por desatenção”. 

Foi assim:

Participantes escolhidos aleatoriamente pelo pesquisador assistiam a um vídeo em que duas equipes, uma de camiseta branca e outra de preta, passavam bolas de basquete entre si.

A tarefa era simples, mas exigia foco: contar quantos passes o time de branco dava.

Após alguns minutos, foi pedido aos participantes que dissessem o número de passes. A maioria respondeu “15”. Bingo! Resposta correta!

Mas interrompendo o clima de animação dos voluntários, Dr. Simons perguntou:

“Vocês viram o gorila?”

“Isso é uma piada? Que gorila?”, responderam eles.

“Assistam ao vídeo novamente. Mas, dessa vez, não contem”, instruiu Simons.

Acontece que, após um minuto e pouco do jogo, um homem fantasiado de gorila atravessava a cena, parava no centro, batia no peito e saía. Bem no meio da tela, gigante, de forma dolorosa e irrefutavelmente evidente.

Mas acredite: metade dos participantes da pesquisa não o tinha percebido na primeira vez que viu o vídeo.

O que isso nos ensina?

O cérebro prioriza aquilo que considera relevante, desconsiderando coisas que podem ser importantes e estão ocorrendo paralelamente ao evento que decidimos focar.

Talvez, aquilo que você realmente precisa está bem na frente dos seus olhos, mas você não consegue ver por causa do que tem em foco no momento. E isso pode te custar caro.

A única permissão para se comparar

Suponhamos, por exemplo, que você conheça uma pessoa que aparentemente tem uma vida perfeita: ela é linda, magra, tem um bom emprego e um casamento feliz. Evidentemente, se comparar com essa pessoa te deixa frustrada e enciumada.

Tais aspectos que você percebe na pessoa com quem costuma se comparar são coisas que seus olhos escolheram focar. No entanto, será que é exatamente assim como você enxerga?

Você sabe os dilemas pessoais que essa pessoa enfrenta? Será que ela não carrega consigo uma série de defeitos e inseguranças? O casamento dela é de fato perfeito? A vida profissional dela é tão indefectível como você imagina?

A resposta é: não sabemos. Impossível conhecer todos os detalhes pessoais de outra pessoa, mesmo que se trate de alguém que você tem total intimidade.

Mas tem alguém que você conhece profundamente, tim-tim-por-tim-tim: você mesmo.

E essa é a única comparação justa que você pode fazer: a do seu eu do passado com seu eu do presente e a pessoa que você quer ser no futuro.

Todos temos diversos campos da vida que desejamos melhorar: aparência, emprego, relacionamentos, desenvolvimento de qualidades, etc.

Ao invés de pensar:
“Queria ser magra como Beltrana.”
“O Fulano tem o emprego dos sonhos!”
“Queria arrumar um homem igual ao da Siclana.”
“Quem me dera ser determinado como o Beltrano”,

direcione o seu foco para os elementos que você tem total controle: os que dizem respeito a si mesmo.

Então, conheça bem a si mesmo, o que você de fato quer, as metas que você deseja alcançar e a pessoa que você deseja se tornar e mude as perguntas para:

  • O que eu preciso fazer para perder dez quilos?
  • Como eu posso me tornar um profissional mais qualificado?
  • Que pessoa eu preciso ser para atrair um parceiro fiel, trabalhador, sério e responsável?
  • Que medidas práticas eu preciso adotar para ser mais determinado?

E então, vá atrás dos seus sonhos, das suas metas, do seu progresso. Aí sim você encontrará motivos para se alegrar, porque você deseja de todo o coração que sua vida melhore (⚠️ Peterson adverte que isso só funciona se for “genuinamente genuíno”), seu cérebro e seu corpo trabalham em prol disso. Se você quiser mais detalhes, leia atentamente o capítulo 4 e, sobretudo, a página 103 do livro de Jordan Peterson.

Lembre-se do experimento do gorila: nós apenas vemos aquilo que focamos. Enquanto você foca na vida alheia, a maior parte do mundo fica escondida.

No entanto, no momento em que, ao invés de se comparar, você começa a focar em algo diferente como “Quero que minha vida seja melhor”, sua mente começará a te apresentar novas informações, derivadas de um mundo outrora desconhecido enquanto você estava com o foco desajustado.

Tais novos dados capturados por sua mente, agora com um foco assertivo, te ajudarão a alcançar aquilo que você deseja. De posse dessas informações, você terá recursos para observar, agir e melhorar.

É simplesmente mágico! 

Que tal tentar? Depois, volte aqui para me contar os resultados, ficarei na torcida! 💛

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