Angus Barbieri e o jejum mais longo da história!

Angus Barbieri e o jejum mais longo da história

Em 1965, Angus Barbieri, um escocês de 27 anos, internou-se no Maryfield Hospital em Dundee, Escócia. 

Angus era um cara normal que trabalhava em uma peixaria com o pai. E talvez uma dieta de frituras tenha contribuído para sua obesidade — os pés de Barbieri carregavam 207 quilos!

No hospital, Angus Barbieri disse à equipe que lhe atendeu que acreditava que a única maneira de perder peso era ficar definitivamente sem comer. Então os médicos do Maryfield recomendaram que ele não ficasse mais de quarenta dias sem comida, sob supervisão profissional.

Atenção! Era a década de 60 e o paciente estava sendo acompanhado por médicos. Não tente fazer isso em casa, ok? A evolução da Medicina e dos conceitos de emagrecimento nos mostram que existem métodos muito mais seguros e eficazes para perder peso.

Mas voltando ao caso de Angus Barbieri, os dias se transformaram em semanas; e as semanas, em meses. 

Barbieri continuou recusando comida porque ele disse que se sentia bem. Ele tinha um objetivo de peso em mente e uma determinação imbatível de alcançá-lo.

Para essa jornada não convencional de perda de peso ser bem sucedida, Angus Barbieri tomou suplementos de potássio, sódio e vitaminas, já que não estava recebendo nenhum nutriente da comida. E ele não se privou de bebidas também. Mas as que ele tomava eram muito baixas em calorias. Elas incluíam água mineral, chá e café preto, embora perto do fim do período de jejum ele tenha começado a adicionar um pouco de açúcar e leite.

Suas evacuações ocorriam a cada 37 a 48 dias, afinal, se nenhum alimento não está entrando no corpo, não tem o que ser evacuado.

A dieta de vitaminas parecia estar funcionando bem, assim, Angus Barbieri não passou o período inteiro do jejum no hospital. Ele ficou lá apenas no início do “tratamento” para que os médicos pudessem vigiar sua saúde. Mas como seu corpo estava se adaptando super bem à fome, ele recebeu sinal verde para ir para casa.

Um dos médicos explicou que pacientes que permaneciam hospitalizados eram aqueles que não resistiam à tentação de comer. No entanto, Barbieri havia demonstrado uma força de vontade incrível e passou a maior parte do tempo em casa. Ele só precisava ir ao hospital regularmente para fazer exames. 

A glicose é a basicamente a fonte de energia do corpo obtida através dos alimentos. Já que Angus Barbieri não estava se alimentando, os exames apontavam para o que era esperado: um nível muito baixo de glicose no corpo.

Mas, surpreendentemente, funcionar com o tanque vazio não interferiu na rotina diária de Barbieri, que dizia se sentir muito bem. A única coisa que o escocês teve que fazer foi deixar seu emprego na peixaria do pai porque, afinal, trabalhar com alimentos era tentador demais para ele.

No dia 11 de julho de 1966, o jejum de Angus Barbieri, que virou manchete, finalmente terminou. Depois de 382 dias, o agora irreconhecível homem havia perdido incríveis cento e vinte e cinco quilos!

Ele havia alcançado seu peso objetivo de perder 82 quilos e entrou para o recorde mundial do Guinness pelo jejum mais longo conhecido na história: um ano e dezessete dias!

A esta altura você deve estar pensando: “Aposto que ele devorou imediatamente um jantar de cinco pratos depois de passar fome por mais de um ano!” 

Mas Angus Barbieri não fez isso. E por um bom motivo! Comer compulsiva e freneticamente após um longo período de jejum provavelmente sobrecarregaria seu organismo. 

Sendo assim, a primeira refeição de Barbieri após ficar 382 sem comer foi simples e básica: um café da manhã composto por um ovo cozido, um pedaço de pão com manteiga e uma xícara de café. Relatando essa experiência, o determinado escocês disse que realmente apreciou sua pequena refeição, e ela encheu sua barriga direitinho! Ele também disse que, além de se sentir um pouco fraco, não teve efeitos colaterais significativos.

Ao final do longo jejum, Angus Barbieri estava ansioso por desfrutar de suas férias na Espanha e de retornar gradualmente a se alimentar com bom critério, a fim de manter o peso que com tanto esforço ele alcançou. Ele lentamente se readaptou a uma vida normal com comidas e porções comuns. Os médicos ficaram chocados não apenas com seu foco e resiliência, mas também com a facilidade incomum com que Barbieri viveu sem comida sólida por tanto tempo.

Mas o que realmente deixou todos pasmos foi que Angus Barbieri conseguiu manter o peso! 

Desde o começo, os médicos estavam especialmente céticos em relação a este fator, afinal, a maioria das pessoas que tenta dietas extremas como esta geralmente acaba no efeito sanfona, voltando ao ponto de onde começaram. Mas uma vez que Barbieri voltou a comer refeições normais, ele só ganhou sete quilos.

Angus Barbieri eventualmente se mudou para a Inglaterra, onde se estabeleceu e começou uma família. Ele teve dois filhos e faleceu em setembro de 1990, aos 51 anos de idade. Apesar da extrema natureza de sua façanha, sua morte não foi diretamente atribuída às consequências do jejum. Ele faleceu de causas naturais.

Embora Barbieri detenha um recorde mundial bastante incrível, vale a pena notar que o Guinness desde então parou de reconhecer jejuns tão extremos para que as pessoas não tentem esse tipo de façanha perigosa por conta própria.

Mas de uma perspectiva médica, o caso é bastante surpreendente. 

Como pode um ser humano ficar tanto tempo sem comida?

Em 2012, o autor australiano e comentarista científico Dr. Karl Kruszelnicki deu uma palestra no rádio onde explicou os processos químicos que permitiram que Barbieri sobrevivesse sem comida por mais de um ano. De acordo com o doutor, depois de dois ou três dias de inanição, a energia começa a vir das reservas de gordura do corpo. Algumas moléculas de gordura podem ser transformadas em glicose, e Barbieri tinha uma reserva considerável.

Em teoria, o corpo humano pode viver dessas reservas de gordura até que elas se esgotem. Depois disso, você entra em um território realmente perigoso, porque ele começará a se alimentar dos músculos. E embora essas reservas de gordura possam manter o corpo funcionando, isso não significa que a pessoa estará com boa saúde. É por isso que Barbieri recebeu suplementos e foi monitorado com muito cuidado.

Até hoje, não há prova científica de que jejuar por mais de quarenta dias possa fazer qualquer bem. Na verdade, há mais provas de que é extremamente prejudicial. Embora aqueles médicos nos anos sessenta estivessem dispostos a ajudar Angus neste caminho perigoso para seu peso ideal, é altamente improvável que tal coisa acontecesse hoje.

Mas podemos ver o caso do jejum recordista de Angus Barbieri como prova de que o corpo humano é, no mínimo, um mecanismo fascinante. E também, que a atitude, resiliência e força de vontade podem nos conduzir à feitos extraordinários!

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