Controle a raiva para não ser controlada por ela

Sentir raiva não é pecado. O segredo é não deixar ela te possuir. Saiba o que fazer quando a raiva bater forte!

Você já se sentiu culpado por sentir raiva?

Acha que seu valor é diminuído quando alguém vê essa característica em você?

Em um mundo onde só postamos as melhores fotos e apenas publicamos os mais convenientes vídeos, emoções “negativas” tendem a ser escondidas.

Mas e se eu te dissesse que a raiva é um sentimento legítimo e que não é nenhum defeito senti-la?

A chave se encontra no que fazer quando ela explodir em seu peito.

A raiva não é pecado

Vamos desmistificar algo fundamental: sentir raiva é natural. É uma emoção primária, uma resposta instintiva a ameaças, injustiças ou frustrações. 

Pense, por exemplo, no próprio Jesus, o perfeito filho de Deus, virando as mesas dos cambistas no templo, indignado com a profanação de um lugar sagrado.

Tal como a alegria, a tristeza ou o medo, a raiva faz parte do nosso repertório emocional. Não é algo que possamos simplesmente “desligar”. 

Em sua essência, é um indicativo de que algo está errado, um impulso para proteger o que é importante para nós.

Portanto, não é errado sentir raiva.

O desafio reside em expressá-la e gerenciá-la.

A raiva mal gerenciada

Ignorar ou alimentar a raiva descontrolada é como carregar um veneno lento. Seus efeitos são devastadores, tanto para o corpo quanto para a mente e os relacionamentos.

A raiva crônica e não gerenciada eleva a pressão arterial, aumenta o risco de doenças cardíacas, causa insônia, úlceras, problemas digestivos e pode agravar condições como asma e doenças de pele. O corpo está em constante estado de alerta, desgastando-se.

Falando sobre os impactos emocionais, depois de um acesso de fúria é comum sentir uma profunda depressão, exaustão e culpa. A mente fica desorganizada, o julgamento é comprometido, e a capacidade de pensar com clareza é drasticamente reduzida.

E quando o assunto são os relacionamentos, a fúria descontrolada é um veneno mortífero! Ela afasta as pessoas, destrói a confiança e cria um ambiente de medo e ressentimento. Aqueles que mais amamos são frequentemente os que mais sofrem com nossas explosões.

A raiva bem gerenciada

A sabedoria milenar das Escrituras diz o seguinte: “Ficai irados, mas não pequeis”.

Logo, o problema não está em sentir essa emoção, mas em deixar ela te dominar e causar efeitos destrutivos.

Vamos relembrar de uma história que tem muito a nos ensinar sobre isso, a dos irmãos Caim e Abel.

Caim sentiu raiva porque Deus não aceitou a sua oferta ao invés de olhar para si mesmo e melhorar. O próprio Deus tentou o ajudar, quando disse, “o pecado está à porta, mas você deve dominá-lo”.

Mas a escolha de Caim foi não dominar a raiva. Pelo contrário, ela deixou que ela se transformasse em ressentimento crônico e inveja, culminando no assassinato de seu próprio irmão.

Caim não dominou o seu impulso. Assim, seu impulso o dominou.

A ideia é, teoricamente, simples: não reprima a raiva, isso não é saudável. Se não extravasada de alguma forma, ela vai voltar por motivos tolos.

Mas também, não deixe ela ficar ruminando ou explodir.

Jordan Peterson, autor de vários best sellers, ensina que o caminho é integrar a emoção com responsabilidade, ou seja, usar a energia da raiva para agir de forma madura, assertiva e justa.

Peterson ensina que a raiva bem canalizada vira assertividade (defesa de si mesmo e dos valores) e até motivação para mudar o que está errado.

Mas como fazer isso na prática?

Quando você sentir muita fúria, tente fazer o seguinte:

1. Note e admita a raiva sem julgamento

Assim que sentir a emoção subindo, pare e observe: “Estou com raiva agora”. Diga isso para si mesmo, sem se condenar. Parece bobo, mas isso já tira parte do poder automático da emoção. Apenas reconheça.

2. Não deixe o sol se pôr sobre a raiva

Resolva o mais rápido possível (mesmo que seja só internamente ou com uma pessoa de confiança). 

Guardar vira ressentimento crônico — exatamente o que Caim fez e que Peterson chama de “o caminho da amargura e da destruição”.

3. Use a raiva como informação

Pergunte “o que está errado?” e olhe para si mesmo.

Em vez de culpar o outro ou o mundo, como Caim fez, consulte o seu ressentimento e pergunte-se:

  • O que exatamente está me incomodando?
  • Qual parte de mim isso está tocando? Uma fraqueza, uma necessidade não atendida, uma injustiça real?
  • O que eu posso fazer melhor ou diferente? (melhorar o meu “sacrifício”, como Deus sugeriu a Caim).

4. Transforme a raiva em assertividade

Peterson ensina que muita gente é “demasiado agradável” e acumula raiva porque não defende seus limites.

Então, quando você estiver com raiva de seu cônjuge, irmão, chefe ou amigo, fale com verdade, mas calmamente: “Eu notei que isso está me incomodando porque…”.

Não acuse (“você é ruim”), diga o que você sente e o que você quer em vez disso.

Isso integra a agressão de forma positiva: vira determinação e respeito próprio.

5. Aja antes de explodir

Não discipline ou confronte com raiva. Primeiro se acalme o suficiente para pensar.

Um exercício útil é respirar, esperar um pouco e perguntar a si mesmo: “qual é a próxima coisa certa a fazer?”

Então, da próxima vez que a raiva surgir no seu peito, não se culpe.

O que realmente define o seu caráter não é a emoção que aparece, mas a escolha que você faz depois dela.

Observe-a. Entenda o que ela está te dizendo. E use essa energia para agir com assertividade, em vez de deixar que ela te use.

Você não precisa ser perfeito.

Você só precisa ser responsável com o que sente.

E você? Já percebeu que, quando para, observa e age com calma, a raiva perde muito do poder dela? Me conta nos comentários!

Gostou deste artigo? Então compartilha com alguém!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga-me nas Redes

Mais Lidos

Categorias

Você também vai gostar disso:

Bichinho do amendoim, asma, besouro do amendoim
Comportamento

A asma, os meus pais e eu

Dos cinco aos doze anos eu fui uma criança asmática. Tive crises muito fortes de asma e idas ao Plantão da Criança, o nome de

para de se comparar, os perigos da comparação
Comportamento

“Pare de se comparar!” — Mas como?

Recentemente ouvi o relato real de um homem que, quando criança, praticava natação. Nos treinos, seu tempo de prova era excelente, no entanto, nas competições,

dicas para diminuir o estresse e a ansiedade
Comportamento

4 maneiras práticas de reduzir o estresse

Você já percebeu como o corpo reage antes mesmo de a mente entender o que está acontecendo? Em situações de estresse, o corpo se arma.