Meu cachorro me ama?

Meu cachorro me ama mesmo ou sou apenas uma fonte de alimento, segurança e conforto?

Tem momentos na vida que nos sentimos como um pedaço de pano que alguém joga para acertar a pia e acaba caindo no chão. Estamos esgotados física e emocionalmente e tudo o que queremos é ficar sozinhos, sem ver nem falar com ninguém. Se você tem um cão, suponho que este ninguém tenha uma exceção: seu cachorro! 

Nossos cachorrinhos são uma companhia fundamental e insubstituível. Só de olhar para eles, sentimos conforto. Sentir a respiração deles enquanto eles estão deitados do nosso lado traz paz. Acariciar o pescoço de nosso bichinho sobrecarrega o espaço de carinho. Como a gente ama nossos cachorros!

E eles?

“Será que meu cachorro me ama? Ou sou para ele apenas uma fonte de comida, segurança e diversão?” 

Você já se perguntou isso?

A Ciência também quis encontrar uma resposta. Os resultados comprovam o que já sabíamos: você não está num relacionamento unilateral.

O que meu cachorro sente por mim?

Fonte: Getty Images

Não temos como colocar nosso cachorro no sofá e esperar uma resposta depois de lhe pedirmos se ele realmente nos ama. De fato, é praticamente impossível saber exatamente o que nosso cachorro está pensando. 

Mas há alguns anos, Gregory Berns, neurocientista da Universidade Emory, dos Estados Unidos, decidiu que queria tentar descobrir de qualquer maneira.

O catalisador foi seu diminuto pug Newton, um cãozinho castanho com uma disposição amigável e uma pequena verruga preta na bochecha. Todas as noites, durante mais de uma década, Newton subia na cama com Berns e sua esposa e aninhava a cabeça em forma de almôndega na dobra da axila de seu dono antes de capotar no sono e roncar alto. 

A rotina continuou mesmo depois que Newton ficou tão artrítico a ponto de depender de um minúsculo carrinho de rodas preso às patas traseiras para caminhar e precisar de ajuda humana para subir na cama.

Quando Newton faleceu, com idade avançada, Berns ficou tão arrasado que começou a ruminar sobre a natureza do relacionamento deles. 

Sim, ele realmente amava intensamente aquele garotinho. 

Mas será que Newton, ele se perguntou, sentia o mesmo por ele? 

Berns tentou não insistir na questão. Foi triste contemplar a possibilidade de que, para Newton, o relacionamento deles pudesse ter se resumido a nada mais do que um desejo por guloseimas para cães ou um novo brinquedo para roer. 

Alguns meses depois, enquanto assistia às notícias de um cão treinado para participar de uma operação militar para capturar Osama bin Laden, Berns teve uma epifania: se um cão conseguia manter a calma durante um ataque militar, talvez seria possível treinar sua nova terrier de estimação para ficar imóvel numa máquina de ressonância magnética durante tempo suficiente para examinar o seu cérebro e ver como ela pensa.

Desde então, Berns escaneou o cérebro de mais de 100 cães, publicou os resultados em dois livros (What It’s Like to Be a Dog: And Other Adventures in Animal Neuroscience e How Dogs Love Us: A Neuroscientist and His Adopted Dog Decode the Canine Brain, em português, Será que ele me ama?: Um neurocientista decifra o cérebro emocional canino) e se estabeleceu como um pioneiro no campo de pesquisa em rápido crescimento chamada “cognição canina”, que está revelando novos esclarecimentos sobre os comportamentos muitas vezes enigmáticos dos nossos fabulosos amigos peludos de quatro patas.

O cérebro de um cachorro

Fonte: Getty Images

Berns treinou Callie, sua nova companheira canina, para ficar imóvel em um scanner de ressonância magnética. Berns a alimentou, elogiou e deixou-a sozinha na enorme máquina em forma de donut e monitorou as áreas de recompensa de seu cérebro para ver quando elas se iluminavam mais.

Os resultados foram inequívocos: palavras gentis de Berns iluminaram os centros de recompensa de Callie – e por extensão, de Newton – demonstrando que seus amimais de estimação o amavam tanto, senão mais, do que um delicioso pedaço de comida.

Berns também usou o olfato dos cães como fonte de pesquisa.

De acordo com os exames realizados pelo neurocientista, enquanto a região olfativa do cérebro se iluminava para todos os 12 cães testados, independentemente de quem fosse a pessoa ou o cão, apenas os aromas familiares iluminavam o núcleo caudado, região do cérebro ligada a processos mentais como emoção, motivação e recompensa. As amostras foram retiradas das axilas sem desodorantes dos donos dos cachorros. Eles devem nos amar mesmo!

Dr. Berns com Zen – Fonte: The New York Times

E não foi apenas Berns que estudou a magnitude dos sentimentos dos cãezinhos por seus tutores.

Em um estudo conduzido pela Canine Cottages, do Reino Unido, quatro filhotes diferentes foram equipados com coleiras especiais de monitoramento de frequência cardíaca para analisar o que os deixava entusiasmados ao interagir com seus donos.

Combinando os dados de monitoramento da frequência cardíaca dos quatro cães durante sete dias, a frequência cardíaca média foi de 67 bpm. 

Mas quando os caninos ouviram “eu te amo” de seus donos, suas frequências cardíacas dispararam 46%, para 98 bpm.

A pesquisa também mostrou uma coisa que acalma os batimentos cardíacos de um cão: abraçar.

De acordo com o estudo, enquanto eram abraçados por seus humanos favoritos, a frequência cardíaca dos cães diminuiu, em média, 23% – de 67 bpm para 52 bpm.

A Canine Cottages também monitorou os batimentos cardíacos dos tutores dos cães para comparar o quanto eles amam seus animais de estimação.

Os resultados mostraram que a frequência cardíaca aumentava em média 10% quando viam o cachorro após ficarem longe deles por um período de tempo. Ou seja, nossos bichinhos parecem ficar mais emocionados com a nossa presença do que nós com a deles.

A Suécia também decidiu participar da exploração do tópico.

Pesquisadores suecos analisaram os níveis de oxitocina – a “substância química do amor” – em cães e seus donos. Eles observaram que os cães e seus donos respondiam de maneira semelhante às suas interações (como carícias) em relação aos níveis de oxitocina. 

Comportamentos calmos e anti estressantes em humanos causaram uma resposta semelhante em cães. Eles concluíram que “os donos e os cães podiam sentir mutuamente o estado emocional do outro com base numa maior capacidade de ler os sinais comportamentais alheio . . . a oxitocina pode facilitar e estimular interações sociais amigáveis, induzir efeitos antiestresse e aumentar a confiança.”

Como os cães demonstram amor pelos seus donos? 

Fonte: Getty Images

Cinco maneiras simples foram descobertas pela veterinária Dra. Heather Venkat, enfermeira-chefe da Only Pets Cover; e pela treinadora de cães, Joe Nutkins, ambas do Reino Unido:

Em primeiro lugar, um cachorro constantemente ao lado do dono, no colo ou nos pés, é um sinal claro e evidente de amor, pois os filhotes só se apoiam em pessoas com quem se sentem confortáveis.

Quando os cães são cumprimentados, eles provavelmente abanam o rabo para frente e para trás, pulam e se mexem para aqueles que amam.

Também podem expressar carinho trazendo um brinquedo, sinalizando que confiam na pessoa o suficiente para brincar com ela.

Se um cachorro mostra a barriga, ou dorme de costas com o peito para cima, é sinal de confiança e amor. Esses cães confiam nos humanos ao seu redor o suficiente para se colocarem em uma posição vulnerável.

Finalmente, os cães também podem demonstrar amor quando estão com dor, aproximando-se de alguém em quem confiam e levantando uma pata ou deitando-se ao lado de alguém com a cabeça no colo.

Definitivo: Um sentimento bilateral

Geralmente, quando ficamos nos perguntando sobre o que nosso cachorro está pensando, estamos, na realidade, desejando encontrar confirmações de que o amor que ele sente por nós é tão grandioso quanto o amor que sentimos por eles.

Berns, que tanto pesquisou sobre a matéria, foi categórico ao responder:

“A resposta é ‘absolutamente’. É semelhante à forma como vivenciamos o relacionamento. Os fortes laços sociais que eles desenvolvem conosco são para eles considerados como algo intensamente gratificante.”

Shannon Keary, gerente de campanhas da Canine Cottages, disse: “É incrível ver que a frequência cardíaca dos nossos cães aumenta quando lhes dizem que são amados, demonstrando entusiasmo, e diminui quando são abraçados, demonstrando contentamento”, disse ela. “Também é interessante ver todas as maneiras estranhas e maravilhosas pelas quais nossos animais de estimação demonstram seu amor por nós. A partir desses dados, podemos agora dizer oficialmente que nossos cães realmente nos amam!”

Da próxima vez que o seu cachorro olhar fixamente para seus olhos, tenha a certeza que atrás destes olhos cativantes há um coração lotado de amor!

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Uma resposta

  1. Su , gostei mt .
    Com certeza nossos animais , sentem amor, confiança em seus donos . E nós tb amamos mt eles. 🥰🥰🥰💜saudades de niossa val.

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