O dia mais triste para os judeus desde o Holocausto

Entenda tudo o que está acontecendo entre Israel e Hamas nesta implacável e terrível guerra.

“Haverá paz no Oriente Médio somente quando os árabes amarem seus filhos mais do que eles odeiam Israel.” – Golda Meir, Ex-Primeira-ministra de Israel

Sábado, 07 de outubro de 2023, 06h30 da manhã. 

Israelenses e pessoas de diversas etnias reunidas em um festival de música eletrônica que acontecia no sul de Israel, na região do kibutz Re’im, há uma distância de uns 15 minutos de carro da Faixa de Gaza, presenciam o início de um dos piores dias da história moderna de Israel.

O céu brilha não pelo nascer do sol, mas pela infestação de mísseis provindos de Gaza. Milhares deles, disparados sem trégua, sem interrupção.

O sistema israelense de interceptação de mísseis é relativamente bem sucedido, mas quem dera que o problema fossem apenas os foguetes!

Sirenes de alerta começam a tocar em todo o país. Homens armados – terroristas – atiram indiscriminadamente contra o público que desesperadamente tenta fugir do local, no meio de um deserto.

Mais de 260 pessoas são brutalmente assassinadas no local do evento. Muitas são feridas, e outras, levadas como reféns.

Hamas, uma poderosa organização terrorista, avança para outras localidades de Israel com um objetivo – matar qualquer criatura movente que atravesse seu campo de visão. Assim se inicia um ataque sem precedentes chamado por muitos de “O 11 de Setembro de Israel”.

O que é o Hamas?

Integrantes do Grupo Hamas em patrulha com veículo

Fundado em 1987, o Hamas é um grupo terrorista palestino impulsionado pelo racismo contra os judeus. O objetivo deles, de acordo com o próprio chefe do Hamas, Yahya Sinwar, é destruir Israel:

“Vamos derrubar a fronteira e arrancar os corações de seus corpos.”

“Devemos atacar todos os judeus do planeta Terra! Morte a Israel!” – Fathi Hamad, líder político do Hamas

A palavra “Hamas” é um acrônimo da expressão árabe “Harakat Al-Muqawama Al-Islamia”, que significa Movimento de Resistência Islâmica.

De acordo com o governo dos Estados Unidos, o Hamas tem entre 20.000 e 25.000 membros. A totalidade de seus membros são islâmicos de orientação sunita, e dedicam-se veementemente à criação de um país palestino que ocupe todo o território de Israel.

O Hamas é uma ramificação da Irmandade Muçulmana, que é um grupo sediado no Egito. 

O cientista político e professor Heni Ozi Cukier explica que em 2005, quando Israel saiu unilateralmente de Gaza, a então autoridade Palestina ficou no poder até surgirem as eleições internas. Dois grupos disputaram pelo poder: o Fatah e o Hamas.

Quem venceu as Eleições foi o Hamas, com 44% dos votos. O Fatah deteve 41% dos votos. 

Não satisfeito com a vitória, o Hamas partiu para o seu modus operante, que é a violência.

A organização terrorista perseguiu e matou todos os políticos do Fatah dentro de Gaza e começou a controlar o território na base da força, desrespeitando as próprias eleições que eles mesmos ganharam e estabelecendo uma verdadeira ditadura.

A Palestina é dividida em duas regiões – Gaza e Cisjordânia. São as áreas que aparecem pintadas de marrom escuro no mapa, sendo a maior delas, a Cisjordânia e a menor, Gaza. O Hamas controla apenas Gaza, e o Fatah controla a outra parte onde está localizada o restante da população palestina, ou seja, a Cisjordânia.

Mapa de países e regiões fronteiras de Israel

O grupo Hamas mantém o próprio povo em uma situação deplorável, sem qualidade de vida e sem direitos humanos básicos. Além de colocar em risco a vida da população local, doutrina as crianças em campos de treinamento terrorista.

O Hamas se apodera dos recursos humanitários para fabricar foguetes. Há alguns anos, Gaza recebeu novos encanamentos de água graças a ajuda estrangeira. O Hamas desenterrou os encanamentos e os transformou em foguetes que posteriormente dispararam contra Israel. E sabe de onde estes foguetes são lançados? De bairros civis! 

Além disso, este violento grupo se infiltra deliberadamente debaixo e dentro de casas, escolas e mesquitas, profanando esses espaços, transformando-os em alvos militares.

O Hamas recebe apoio do Irã, que além de prover financiamento, também compartilha arsenal bélico e conhecimento militar para a produção de armamentos em Gaza.

O Catar e a Turquia também fornecem suporte financeiro ao Hamas.

O ataque

Choques entre o Hamas e Israel acontecem com certa frequência, pelo menos a cada três anos.

Foram registrados disparos de mísseis em 2009, em 2012, em 2014 e em 2021; para citar alguns.

Mas o ataque que ocorreu neste outubro de 2023 é totalmente sem precedentes porque Israel foi invadido por ar, por mar e por terra nas regiões que aparecem na imagem abaixo.

De acordo com o cientista político Andre Lajst, o povo judeu está passando a pior crise da sua história desde o fim do Holocausto.

“O Hamas atacou Israel sem provocação, sem motivo. Não é devido a Causa Palestina . . . é simplesmente ódio puro.”

Lajst explica porque este ataque é tão único. Quando Israel foi fundado, em 1948, houve uma Guerra de Independência que se estendeu por um ano e três meses. Nesta guerra, morreram 7.000 pessoas – 1% da população. Na sua maior parte, combatentes. Mas note que levou um ano e três meses para isto acontecer. 

Na Guerra do Yom Kippur, também conhecida como Guerra Árabe-Israelense de 1973, num ataque surpresa do Egito, 2.500 soldados israelenses morreram em três semanas de combate. Não havia uma família em Israel que não conhecia algum soldado que morreu. Mas eram soldados, eles estavam na linha de frente da batalha.

Durante a Segunda Intifada entre os anos de 2000 e 2004, houve atentados suicidas de homens-bomba do Hamas e da Jihad Islâmica, que se explodiram em locais movimentados, como cafés, ônibus e discotecas. Nesta ocasião, morreram em torno de 1.000 civis israelenses em quatro anos.

No ataque do dia 07 de outubro de 2023, morreram 1.300 pessoas em seis horas!

Desde o Holocausto não eram assassinados tantos judeus no mesmo dia.

Esse é o maior atentado terrorista da história de Israel e o segundo maior atentado terrorista da história moderna depois do 11 de setembro.

Alguns jornalistas também comparam o ataque que Israel sofreu ao ataque a Pearl Harbor do Serviço Aéreo Imperial da Marinha Japonesa contra os Estados Unidos pela forma como, em ambos os casos, as vítimas foram pegas totalmente de surpresa.

A fronteira entre Gaza e Israel é feita por uma cerca de alta segurança e a área é monitorada por centenas de câmeras. Há drones, sensores e todo tipo de equipamento para alertar um possível ataque.

Até então, as preocupações de Israel giravam em torno da Cisjordânia e da destruição de túneis subterrâneos construídos por terroristas.

Como o Hamas tinha realizado um ataque em 2021, Israel não dispensava muita atenção a este inimigo.

Mas tal como aconteceu em Pearl Harbor, eles foram pegos totalmente de surpresa quando o inimigo entrou pela porta da frente. Literalmente. Pela cerca de segurança, com carros e motos.

O Hamas não atuou sozinho nesta ação. O professor Cukier conta que desde abril de 2023 reuniões estão sendo realizadas no Líbano e na Síria entre a Força Quds, que é um braço da Guarda Revolucionária Iraniana; o Hamas; o Hezbolah, grupo terrorista do Líbano; e outras organizações terroristas palestinas.

O Hezbollah surgiu na Guerra Civil Libanesa (1975 – 1990). É um grupo terrorista ainda mais perigoso que o Hamas. Possui altíssimo poder bélico, o que usa para espalhar o terror. Assim como o Hamas, o objetivo de Hezbollah compartilha é destruir o Estado judeu.

Em recente entrevista, Ali Baraka, Oficial Sênior do Hamas, disse que a invasão à Israel estava sendo planejada secretamente há dois anos.

Nas semanas que antecederam o ataque, foi dado o sinal verde do Irã para execução do plano terrorista contra Israel.

Será investigado qual falha houve no serviço de inteligência de Israel. É cogitada a possibilidade de que o Hamas tenha recebido do Irã equipamentos capazes de inutilizar ou congelar o sistema de segurança israelense.

Na sexta-feira, dia 13 de outubro, o Hezbollah assumiu a responsabilidade por ataques a quatro locais na fronteira entre Israel e Líbano. Conforme mapa acima, o Líbano faz fronteira norte com Israel. O confronto levanta a possibilidade de uma guerra regional ampla no Oriente Médio, com Israel tendo que combater em duas frentes.

Os devastadores resultados

De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF), mais de 1.300 pessoas foram mortas, dentre elas, 220 soldados. Ou seja, a maioria das vítimas foram civis – homens, mulheres, idosos, até mesmo bebês foram assassinados. E de uma forma tão hedionda que meus dedos resistem de digitar . . . alguns bebês tiveram suas cabeças decapitadas e corpos carbonizados. A informação foi confirmada pela jornalista Nicole Zedek, do 124 News; e pelo jornalista Trey Yingst, da Fox News. O correspondente diplomático da CNN, Nic Robertson, gravou um vídeo ao lado de uma pilha de corpos em sacos pretos, relatando que, dentre eles, havia mulheres e crianças, inclusive decapitadas.

Há mais de 3.400 feridos e 150 reféns detidos pelos terroristas na Faixa de Gaza. 

Civis observadores deste trágico acontecimento relatam que os terroristas saíram atirando no que vissem na frente, fossem animais ou pessoas. 

Famílias inteiras foram dizimadas. Muitos foram queimados vivos, degolados e fuzilados em suas próprias casas. Mulheres foram estupradas antes de serem assassinadas.

Moradores locais contam que após executarem soldados israelenses, terroristas do grupo Hamas vestiram trajes militares dos mesmos, bateram nas casas falando em hebraico que eram do exército do Israel para, quando serem recebidos, exterminar ou raptar quem aparecesse na frente deles – fossem homens, mulheres ou crianças.

A fim de forçar as pessoas a saírem de dentro de seus lares, terroristas do Hamas atearam fogo nas casas, sequestrando, espancando ou matando os moradores que forçosamente saíam em desespero.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, disse que “tamanha violência nunca foi vista em toda história de Israel” e que o “Hamas é pior que o ISIS (Estado Islâmico).”

Mais de 6.000 mísseis foram lançados da Faixa de Gaza para Israel.

Um tremendo agravante

Uma questão muito importante a ser tratada sobre este conflito são os pelo menos 199 sequestrados e mantidos como reféns pelo Hamas.

O Hamas deve utilizar estes civis – que incluem crianças, mulheres, idosos e deficientes – como escudo humano para se proteger e como moeda de troca para soltar prisioneiros.

BBC divulga fotos de alguns dos sequestrados pelo Hamas

Para você entender a grandiosidade disso, em 2006 um soldado israelense, Gilad Shalit, foi capturado em Kerem Shalom, na fronteira de Israel com a Faixa de Gaza, por terroristas palestinos, mantido em cativeiro pelo Hamas até 2011.

Sabe qual foi o acordo feito para a soltura de Shalit?

O Hamas pediu a libertação de mais de 1000 presos palestinos terroristas.

Um soldado por 1000 terroristas. Está entendendo a dimensão disto?

Há cerca de 4.000 pessoas presas em Israel que cometeram atentados, muitos dos quais são membros do Hamas. 

Na sexta-feira, dia 13 de outubro, foi publicado que o Exército Israelense (IDS) informou que entrou em Gaza para procurar israelenses desaparecidos. Aguardamos o desfecho desta ação.

A resposta de Israel

Atualmente, a IDF já controla 100% do território que foi invadido por terroristas do Hamas na região sul de Israel. Todos os terroristas que invadiram Israel no ataque do dia 07 de outubro foram capturados.

Israel declarou guerra contra Hamas. Cerca de 360 mil foram convocados. Em Israel, o Exército é compulsório. A partir dos 18 anos, mulheres servem por dois anos; e homens, por quase três. E é também um exército popular, composto não apenas de militares profissionais. 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro de defesa e um dos líderes do partido da oposição, Benny Gantz, concordaram em formar um novo governo de emergência em Israel. Participa também deste novo governo Yoav Gallantz, atual ministro da defesa. Eles declararam que os dias do Hamas estão contados.

Israel, no entanto, tem um grande dilema. O contra-ataque dos israelenses tem de ser feito em uma região densamente povoada, na qual um grande número de civis inocentes palestinos podem se tornar baixas de guerra.

O exército de Israel alerta previamente os civis as áreas que serão bombardeadas para que eles possam fugir com antecedência.

Uma unidade cibernética israelense assumiu o controle da TV Hamas, em Gaza, exortando os residentes a deixarem suas casas por segurança.

“A IDF apela à evacuação de todos os civis da Faixa de Gaza para a área a sul de Wadi Gaza, para a sua própria segurança e proteção. Não se aproxime da área da cerca de segurança com o Estado de Israel.”, avisou o Estado aos moradores de Gaza.

O Hamas, no entanto, rejeitou as ordens de Israel e mais, disse aos residentes que permaneçam onde estão. “Permaneçam firmes nas suas casas”, apelam eles. O grupo terrorista usa os palestinos como escudos humanos.

De acordo com as IDF, o Hamas tem realizado uma série de bloqueios rodoviários para impedir a passagem de civis que estão tentando escapar da Faixa de Gaza.

O contra-almirante Daniel Hagari, porta-voz das FDI, em entrevista coletiva disse que o Hamas é responsável por qualquer dano aos civis que não evacuarem da parte norte da Faixa de Gaza.

E fica uma questão: para vão estes civis palestinos?

Mapa demonstrando limites da fronteira de Gaza

Conforme mapa à esquerda, além de Jerusalém, Gaza faz fronteira com o Egito. Uma possibilidade seria o Egito autorizar um corredor humanitário para receber palestinos que estão nas regiões de ataque. No entanto, por enquanto o Egito não concordou em conceder refúgio.

Em Gaza, 2.329 palestinos já morreram, grande maioria composta pelos terroristas do Hamas. Há mais de 7.500 feridos com cerca de 1,5 mil combatentes do Hamas mortos em Israel.

Netanyahu se dirigiu a nação israelense com a seguinte declaração: “Nossos inimigos apenas começaram a pagar o preço. Não vou detalhar o que virá a seguir, mas estou dizendo a vocês, é apenas o começo. ( . . . ) Nunca deixaremos o mundo nem ninguém esquecer essas atrocidades.”

De acordo com as Forças de Defesa de Israel, as IDF conduziram uma onda de ataques aéreos precisos visando centros de comando operacional usados pelo Hamas.

Por que o Hamas publica tanto material chocante?

O Hamas não se refreia de publicar fotos e vídeos mostrando as atrocidades cometidas por eles em Israel.

Por que eles fazem isso?

O professor Cukier lista alguns motivos por trás disso.

Primeiro, o Hamas quer causar uma reação exagerada por parte de Israel a fim de que a população adote uma posição de extrema rejeição e desesperança da almejada paz. Parece tão doentio para pessoas sãs como nós, mas é isso que o Hamas quer. Ele vence quando há rigidez porque ele vive de guerra, do combate armado, do caos. O Hamas repudia a paz.

Algo que prova o quanto o Hamas se alimenta da guerra é que ele quer destruir qualquer tentativa de paz entre nações. A Arábia Saudita, o país mais importante para o mundo islâmico, estava em vias de assinar um acordo de paz com Israel quando o Hamas atacou. Se há paz, o Hamas perde o seu motivo de existência.

Além disso, quanto mais vídeos chocantes, mais Israel se sentirá impelido a responder, mais irá ao alcance da justiça. E quanto mais resposta houver, quem ganha é o Hamas, sabe por que? Porque a violência continua.

Uma palavra de cautela

Importante mencionar que, apesar de ser um grupo terrorista formado por palestinos, nem todo palestino é a favor do Hamas. Pelo contrário. Muitos detestam esta organização hedionda. Mesmo partidários da Causa Palestina tem manifestado sua total repulsa ao ataque deste grupo contra Israel.

Os palestinos estão divididos não apenas territorialmente, mas também politicamente.

O Fatah administra 3 milhões de palestinos na Cisjordânia; e o Hamas, 2 milhões de palestinos em Gaza.

O Fatah é um partido político secular, laico; ao contrário do Hamas, que é religioso. Os objetivos do Hamas não são os mesmos da população de Gaza, tampouco dos palestinos como um todo.

Para você ter uma ideia, 54% dos palestinos em Gaza dizem ter medo de criticar o Hamas. Outra pesquisa, realizada em 2022, aponta que 53% dos palestinos de Gaza concordam que o Hamas deveria parar de pedir a destruição de Israel. Ainda outra pesquisa, também de 2022, reporta que 71% dos palestinos em Gaza acreditam que o Hamas e as suas instituições são muito corruptas.

Vou manter este post atualizado de acordo novas informações de fontes confiáveis. Se você quer entender melhor sobre algum assunto envolvendo este conflito, escreva nos comentários que eu posso pesquisar e completar esta leitura.

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